Embrapa lança hortaliças resistentes ao calor
Após mais de 20 anos de pesquisa, instituição apresenta as primeiras cultivares registradas de PANCs, com foco em produtividade, nutrição e adaptação às altas temperaturas.
A Embrapa anunciou o lançamento das primeiras cultivares registradas de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) do Brasil. As novidades são a bertalha BRS Tereverde e o caruru BRS Ilekalu, desenvolvidas a partir de materiais genéticos preservados pela instituição há mais de duas décadas.
A iniciativa marca um avanço importante para a profissionalização do cultivo de PANCs, grupo de alimentos que vem conquistando espaço entre consumidores em busca de opções mais nutritivas e produtores interessados em culturas adaptadas ao clima tropical.
O que são as PANCs?
As Plantas Alimentícias Não Convencionais são espécies vegetais pouco presentes na alimentação cotidiana dos brasileiros e raramente encontradas em grandes redes de supermercados. Apesar disso, possuem elevado valor nutricional e despertam cada vez mais interesse no mercado.
Entre os exemplos mais conhecidos estão a ora-pro-nóbis e a taioba, alimentos que vêm ganhando destaque em feiras, restaurantes e projetos de agricultura urbana.
Com as novas cultivares, a Embrapa busca oferecer sementes com identidade genética definida, qualidade padronizada e orientações técnicas validadas cientificamente, fatores essenciais para ampliar a produção comercial dessas espécies.
Variedades suportam altas temperaturas
Um dos diferenciais das novas cultivares é a resistência ao calor, característica considerada estratégica diante das mudanças climáticas e das altas temperaturas registradas em diversas regiões do país.
A bertalha BRS Tereverde foi selecionada para manter boa produtividade mesmo em períodos mais quentes, suportando temperaturas de até 40°C. Em condições comerciais, a cultivar pode alcançar produção entre 40 e 60 toneladas por hectare.
Já o caruru BRS Ilekalu se destaca pelo elevado teor de proteínas presente nas folhas. Segundo a Embrapa, trata-se do primeiro material desenvolvido especificamente para consumo como hortaliça folhosa dentro dessa espécie.
Alternativa para pequenos produtores
A expectativa é que as novas variedades fortaleçam principalmente a agricultura familiar, produtores de pequena escala e iniciativas de agricultura urbana.
Por exigirem áreas menores para cultivo e apresentarem potencial de valor agregado superior ao de algumas hortaliças tradicionais, as PANCs podem representar uma nova fonte de renda para agricultores que buscam diversificação da produção.
Mercado ainda busca expansão
Apesar do crescimento da procura por alimentos alternativos e mais saudáveis, o mercado de PANCs ainda enfrenta desafios relacionados à produção em escala, distribuição e oferta regular.
A Embrapa já trabalha no desenvolvimento de novas variedades de outras espécies, como vinagreira e almeirão-roxo, com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva e ampliar a presença desses alimentos no agronegócio brasileiro.
O lançamento das primeiras cultivares registradas representa um passo importante para transformar plantas tradicionalmente cultivadas em quintais e hortas domésticas em opções comerciais mais acessíveis para produtores e consumidores.
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Fonte: Embrapa
