Isenções preservam bilhões de dólares das exportações do agro brasileiro aos EUA
Café, carne bovina e suco de laranja ficaram fora da tarifa adicional dos Estados Unidos, enquanto outros produtos seguem sujeitos à cobrança.
Isenções preservam bilhões de dólares das exportações do agro brasileiro aos EUA
A lista de exceções divulgada pelos Estados Unidos reduziu significativamente o impacto da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida preserva cadeias estratégicas do agronegócio, como café, carne bovina e suco de laranja, responsáveis por bilhões de dólares em exportações.
Os Estados Unidos estão entre os três principais destinos do agronegócio brasileiro e compraram cerca de US$ 11,4 bilhões em produtos do setor em 2025.
Café e carne bovina estão entre os maiores beneficiados
O café aparece entre os produtos mais favorecidos pela lista de exceções. Na safra 2024/25, os Estados Unidos importaram 7,47 milhões de sacas de café brasileiro, volume equivalente a 16,4% de todas as exportações do país.
Com base no preço médio das exportações, esse comércio representa uma receita estimada em aproximadamente US$ 2,4 bilhões.
A carne bovina também foi beneficiada. Entre janeiro e julho de 2025, os Estados Unidos compraram 199,7 mil toneladas do produto brasileiro, movimentando cerca de US$ 1,16 bilhão.
Sem a isenção, essas exportações estariam sujeitas à tarifa adicional de 25%.
Suco de laranja também escapa da nova tarifa
O suco de laranja ficou fora da lista de produtos tarifados.
Segundo o setor, os Estados Unidos dependem das importações para abastecer o mercado interno. Antes da decisão, a CitrusBR estimava que a nova cobrança poderia gerar aproximadamente US$ 100 milhões em custos adicionais por ano.
Com a exclusão do produto da lista, esse impacto foi evitado.
Alguns produtos continuam sujeitos à cobrança
Apesar das exceções, parte do agronegócio brasileiro continuará enfrentando a tarifa adicional.
Entre os produtos afetados está o tabaco, que exportou cerca de US$ 255 milhões aos Estados Unidos em 2024. Em um cenário semelhante, a tarifa representaria uma incidência de aproximadamente US$ 63,8 milhões.
O etanol também será tributado. As exportações brasileiras para o mercado americano somaram US$ 181,8 milhões em 2024. A tarifa corresponderia a cerca de US$ 45 milhões sobre esse fluxo comercial.
No caso do açúcar, especialistas avaliam que os impactos tendem a atingir principalmente usinas das regiões Norte e Nordeste, reduzindo a competitividade do produto brasileiro.
Máquinas agrícolas também serão afetadas
As máquinas agrícolas ficaram fora da lista de exceções e continuarão sujeitas à tarifa de 25%.
Fabricantes solicitaram ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) a retirada dos equipamentos da lista, alegando que a cobrança elevaria os custos para empresas americanas que dependem de produtos fabricados no Brasil.
No entanto, o órgão rejeitou o pedido.
Em 2025, o Brasil exportou aproximadamente US$ 38,8 milhões em máquinas agrícolas para os Estados Unidos. Sobre esse volume, a tarifa representaria uma incidência estimada em US$ 9,7 milhões.
Especialistas destacam que esse valor não representa, necessariamente, prejuízo direto para os fabricantes brasileiros, já que os custos podem ser absorvidos pelos importadores, repassados aos consumidores ou compensados por renegociações comerciais.
O documento completo pode ser acessado aqui.
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Fonte: Comex Stat, Cecafé, CitrusBR e USTR.
