Imagem gerada por IA.
Agro

El Niño pode ser o mais forte desde 1950 e preocupa o agronegócio

A possibilidade de um dos episódios de El Niño mais intensos desde o início das medições, em 1950, tem colocado produtores rurais, especialistas e o mercado do agronegócio em alerta. Segundo projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o fenômeno pode provocar mudanças significativas no regime de chuvas em diversas regiões do Brasil, afetando culturas como soja, milho, café e algodão, além da pecuária.

Caso as previsões se confirmem, o El Niño deve aumentar as chuvas na Região Sul e em parte do Centro-Sul, enquanto Norte e Nordeste poderão enfrentar períodos de seca e temperaturas acima da média. O cenário preocupa especialmente porque coincide com o início do planejamento da safra 2026/27.

Soja e milho estão entre as culturas mais vulneráveis

O período entre julho e setembro é considerado estratégico para o plantio da soja. Chuvas irregulares ou atrasadas podem comprometer a semeadura e até obrigar produtores a realizar replantios, como ocorreu em 2024, quando cerca de 2,9 milhões de hectares precisaram ser replantados devido às condições climáticas.

Além da soja, o atraso no plantio reduz a janela ideal para o milho de segunda safra e para o algodão, aumentando o risco de perdas por falta de chuva no fim do ciclo produtivo.

Especialistas do Itaú BBA avaliam que um El Niño intenso não significa, necessariamente, quebra generalizada da safra, mas alertam que regiões do Cerrado brasileiro e do Centro-Oeste tendem a ser as mais vulneráveis, enquanto o Sul pode enfrentar excesso de chuvas.

Café e pecuária também entram no radar

O café é outra cultura que exige atenção. O excesso ou a irregularidade das chuvas pode comprometer a florada, etapa essencial para a formação da próxima safra, principalmente nas regiões produtoras de Minas Gerais.

Na pecuária, ondas de calor podem afetar o desempenho dos animais e reduzir a produtividade. Caso haja perdas nas lavouras de soja e milho, o custo da alimentação de aves, suínos e bovinos também poderá aumentar.

O setor leiteiro também pode sentir os efeitos do clima. O excesso de chuva no Sul e a estiagem em outras regiões tendem a reduzir a produção, pressionando a oferta do produto.

Goiás pode enfrentar calor e chuvas irregulares

Em Goiás e Mato Grosso do Sul, as previsões indicam temperaturas elevadas e irregularidade nas chuvas durante o período de plantio da safra de grãos. O cenário exige planejamento por parte dos produtores para minimizar possíveis impactos na produtividade.

No Matopiba, importante fronteira agrícola do país, a combinação de calor intenso e baixa precipitação também aumenta o risco de perdas nas lavouras.

Impactos podem atingir o mercado mundial

Os efeitos do El Niño não devem ficar restritos ao Brasil. O fenômeno também pode reduzir a produção de açúcar na Ásia, afetar a produção de café no Vietnã, comprometer o cultivo de cacau na África Ocidental e alterar o comportamento das monções na Índia.

Diante desse cenário, o mercado internacional acompanha de perto a evolução das previsões climáticas, já que possíveis quebras de safra podem influenciar os preços das principais commodities agrícolas nos próximos meses.


📲 Tem alguma pauta, denúncia, flagrante ou informação importante? O Goiás em Pauta quer ouvir você!

Envie agora mesmo para o nosso WhatsApp: (62) 9 9129-7318.

Fonte: Globo Rural, com informações da NOAA, Itaú BBA e Rabobank.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *