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Uma em cada quatro pessoas terá perda auditiva até 2050

OMS estima que 2,5 bilhões enfrentarão problemas auditivos; no Brasil, cerca de 10 milhões já convivem com algum grau de surdez

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2050, cerca de 2,5 bilhões de pessoas no mundo viverão com algum grau de perda auditiva — o equivalente a uma em cada quatro pessoas. Destas, pelo menos 700 milhões precisarão de acesso a cuidados auditivos e serviços de reabilitação.

Atualmente, mais de 1,5 bilhão de pessoas já apresentam algum nível de comprometimento da audição em escala global. No Brasil, aproximadamente 5% da população — cerca de 10 milhões de pessoas — têm perda auditiva, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse total, 2,7 milhões possuem surdez profunda.

Dia Mundial da Audição

Para chamar atenção ao tema, a OMS instituiu o Dia Mundial da Audição, celebrado em 3 de março. A data tem como objetivo conscientizar sobre prevenção, diagnóstico precoce e ampliação do acesso a tratamentos e reabilitação auditiva.

De acordo com a otorrinolaringologista Juliana Caixeta, a perda auditiva não tratada pode comprometer significativamente a comunicação, o desempenho escolar e profissional, além de afetar a interação social.

O relatório da OMS destaca ainda que o investimento em cuidados auditivos é economicamente vantajoso. A entidade calcula que, para cada US$ 1 investido, os governos podem ter retorno estimado de quase US$ 16.

Relação com demência e qualidade de vida

Estudos indicam associação entre perda auditiva e maior risco de demência. A reabilitação adequada pode contribuir para reduzir impactos na cognição.

Além disso, pessoas com deficiência auditiva têm direitos garantidos por lei no Brasil, incluindo acesso gratuito a aparelhos auditivos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a cirurgias como implantes cocleares.

Apesar da legislação, especialistas apontam que a deficiência auditiva — muitas vezes invisível — ainda gera desafios no cotidiano e no mercado de trabalho.

Principais causas da perda auditiva

A perda auditiva pode ter origem congênita ou ser adquirida ao longo da vida. Entre as causas estão:

  • Infecções virais e bacterianas;

  • Doenças autoimunes;

  • Presbiacusia (perda auditiva relacionada ao envelhecimento, comum após os 60 anos);

  • Exposição prolongada a ruídos intensos;

  • Uso inadequado de fones de ouvido.

Atenção ao uso de fones

O uso frequente de fones de ouvido em volume elevado pode danificar as células do ouvido interno, reduzindo a capacidade auditiva ao longo do tempo. Também pode aumentar o risco de infecções, como otite externa e otite média, além de favorecer o surgimento de zumbido (tinnitus) e hiperacusia.

Outro efeito associado é o excesso de cerume, causado pelo bloqueio do canal auditivo, podendo gerar compactação e obstrução.

Especialistas recomendam moderação no volume e no tempo de uso dos dispositivos, além de acompanhamento médico diante de qualquer sinal de alteração auditiva.

Dia Nacional do Otorrinolaringologista

No Brasil, 3 de março também marca o Dia Nacional do Otorrinolaringologista, instituído em 2016. A especialidade é responsável pelo diagnóstico e tratamento de doenças que afetam ouvidos, nariz, garganta e seios da face.

Entre as condições tratadas estão otites, labirintite, zumbido, doença de Ménière, otosclerose e neuroma acústico, além de cirurgias como rinoplastia e otoplastia.

O alerta reforça a importância da prevenção e do acesso à saúde auditiva como estratégia essencial para qualidade de vida.

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Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialista Juliana Caixeta

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