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Trump recebe Netanyahu em meio a tensão com Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe nesta quarta-feira (11/2), em Washington, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em um momento de forte tensão no Oriente Médio. A reunião ocorre em meio ao impasse nas negociações entre EUA e Irã sobre o programa nuclear e às incertezas sobre o futuro da guerra em Gaza.

Netanyahu chegou aos Estados Unidos na noite de terça-feira (10/2) e deve se encontrar com Trump no fim da manhã. Antes, ele se reúne com o secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo fontes israelenses, o governo de Israel já trabalha com cenários alternativos, inclusive opções militares, caso as negociações entre Washington e Teerã não avancem.

Antes da viagem, Netanyahu deixou claro que o Irã é a prioridade central da agenda. “Vamos discutir Gaza e a situação regional, mas, acima de tudo, as negociações com o Irã”, afirmou. Israel pretende apresentar ao governo americano princípios considerados vitais para qualquer acordo, envolvendo não apenas a segurança israelense, mas a estabilidade regional.

A reunião acontece após semanas de articulação diplomática e militar. No último mês, autoridades de alto escalão das Forças de Defesa de Israel e da inteligência militar estiveram no Pentágono. Mais recentemente, assessores diretos da Casa Branca se reuniram com Netanyahu em Jerusalém.

Paralelamente, Estados Unidos e Irã retomaram negociações indiretas em Omã, mas, segundo analistas, sem avanços concretos. Israel vê as conversas com ceticismo e busca garantir dois pontos centrais: a proteção de seus interesses estratégicos e a manutenção da liberdade de ação militar caso um acordo não funcione.

Autoridades israelenses afirmam que Netanyahu levará a Trump novas informações de inteligência sobre as capacidades militares do Irã. A preocupação principal é a reconstrução acelerada do arsenal de mísseis balísticos iranianos, que poderia voltar a níveis entre 1.800 e 2.000 mísseis em poucas semanas ou meses.

Israel pressiona para que qualquer acordo inclua exigências mais amplas, como o fim do enriquecimento de urânio, a eliminação dos estoques existentes, limites ao programa de mísseis e o encerramento do apoio iraniano a grupos aliados na região. O Irã, por sua vez, insiste que está disposto a negociar apenas o dossiê nuclear.

Nos últimos dias, Trump sinalizou que poderia aceitar um acordo mais restrito, desde que fique claro que o Irã não poderá desenvolver armas nucleares. A Cisjordânia também deve entrar na pauta. Trump já declarou ser contrário a qualquer tentativa de anexação do território palestino por Israel.

Gaza segue como ponto sensível

Enquanto isso, Washington trabalha em um plano para o pós-guerra em Gaza. A proposta envolve uma desmilitarização gradual do Hamas, permitindo apenas armamentos leves, e a transferência da administração do território para um comitê palestino tecnocrata.

Israel mantém posição mais dura. Netanyahu deve afirmar que, sem o desarmamento total do Hamas, não haverá reconstrução nem retirada das tropas israelenses. Autoridades israelenses avaliam, inclusive, a necessidade de nova operação militar para viabilizar qualquer plano futuro para Gaza.

Além do impacto diplomático, a visita tem peso político interno para Netanyahu, que enfrenta eleições ainda este ano. A relação direta com Trump é vista por aliados como um trunfo eleitoral, reforçando a imagem de liderança com influência direta sobre decisões estratégicas dos Estados Unidos.

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