Goiânia

MP recomenda que Mabel remova toda grama sintética instalada em Goiânia

O Ministério Público de Goiás (MPGO) recomendou que o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, remova toda a grama sintética instalada em canteiros centrais, praças, parques e demais áreas públicas da capital. A medida faz parte de um procedimento que apura a legalidade e os impactos ambientais da troca de grama natural por grama sintética em espaços urbanos.

A recomendação foi expedida pela promotora Alice de Almeida Freire, da 7ª Promotoria de Justiça de Goiânia, que também cobrou da Prefeitura:

  • A relação completa de todas as áreas públicas onde houve instalação de grama sintética;

  • A apresentação de um plano de remoção desse material e de recuperação ambiental;

  • A suspensão imediata de qualquer nova instalação de grama sintética em Goiânia.

MP quer volta da grama natural e espécies do Cerrado

Nos locais onde hoje há grama sintética, o Ministério Público recomenda que a Prefeitura faça a substituição por grama natural e por espécies nativas compatíveis com o ecossistema do Cerrado.

O objetivo é restaurar as funções ecológicas e drenantes do solo, que, segundo laudos técnicos, teriam sido prejudicadas com a adoção do material artificial.

Em agosto de 2025, Sandro Mabel havia defendido publicamente o uso da grama sintética em locais como o Parque Vaca Brava e canteiros centrais na região da Rua 44, em Goiânia. Na época, o prefeito afirmou que o material não aumentaria a temperatura:

“Grama sintética não esquenta mais”, disse Mabel, afirmando ter medido pessoalmente a temperatura.
“Fui medir a [temperatura da] grama sintética e é 2 graus mais baixo do que a grama [natural], essa grama que está seca aqui”, declarou durante evento na Avenida Castelo Branco, um dos pontos de alteração.

Depois, em setembro, em entrevista ao portal Mais Goiás, o prefeito admitiu que a iniciativa foi uma “inovação” que não funcionou no primeiro momento.

Laudo aponta impactos negativos e nenhum ganho ambiental

A recomendação do MP é baseada em um laudo da Coordenação de Apoio Técnico-Pericial (Catep), que analisa os impactos da substituição da grama natural por grama sintética em Goiânia.

De acordo com o estudo citado pelo Ministério Público, não há benefício ambiental, ecológico ou financeiro na adoção da grama sintética em áreas verdes públicas. Pelo contrário, foram constatados impactos negativos significativos em diferentes dimensões:

  • Perda de regulação térmica do ambiente;

  • Ausência de absorção de gás carbônico (CO₂) e de liberação de oxigênio;

  • Redução da retenção de umidade no solo;

  • Comprometimento da infiltração das águas pluviais;

  • Prejuízo à biodiversidade do solo.

O laudo registra que a grama natural exerce funções ambientais indispensáveis, enquanto a grama sintética é:

“Impermeável, inorgânica e termicamente isolante, ocasionando aquecimento excessivo e impermeabilização total da superfície”, aponta o documento técnico.

Com isso, o MP defende que a cidade retome soluções compatíveis com o clima e o ecossistema do Cerrado, priorizando vegetação natural e manejo adequado das áreas verdes.

O Goiás em Pauta aguarda eventual posicionamento da Prefeitura de Goiânia sobre o cumprimento ou não da recomendação do Ministério Público e possíveis prazos para remoção da grama sintética.


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