Justiça manda PMs a júri popular por mortes ligadas ao caso Fábio Escobar
A Justiça de Goiás determinou que cinco policiais militares envolvidos nas mortes relacionadas ao assassinato do empresário Fábio Escobar irão a júri popular. A decisão atende a um recurso do Ministério Público contra a absolvição sumária dos acusados, proferida em novembro de 2024, e conclui que não ficou comprovada a alegação de legítima defesa apresentada pelas defesas.
Os PMs Glauko Olivio de Oliveira, Wembleyson de Azevedo Lopes, Adriano Azevedo de Souza, Rodrigo Moraes Leal e Thiago Marcelino Machado respondem por homicídio triplamente qualificado pelas mortes de Gabriel Santos Vital, Gustavo Lage Santana e Mikael Garcia de Faria.
Fundamentos da decisão
No voto, o desembargador relator Gustavo Dalul Faria afirmou que a absolvição sumária exige “demonstração cabal” de circunstância que exclua o crime ou isente o réu de pena, o que, segundo ele, não ocorreu. Para o magistrado, a dinâmica dos fatos não está suficientemente esclarecida para afastar o julgamento pelo Tribunal do Júri.
Entre os pontos destacados, o relator citou laudos periciais que indicam que as vítimas foram atingidas fora dos veículos, em área de mata próxima à rodovia, sem sinais de luta corporal. O voto também menciona que supostas armas atribuídas às vítimas teriam sido retiradas do local antes da chegada da perícia e que os exames apontam disparos feitos em posição superior, sugerindo que as vítimas estavam em nível mais baixo que os policiais.
Contexto do caso
As três mortes ocorreram em 23 de agosto de 2023, na BR-060, em uma ação classificada pelo Ministério Público como emboscada. A denúncia aponta uso de informações de inteligência para monitoramento das vítimas. As mortes foram relacionadas ao assassinato de Fábio Escobar, ocorrido em 23 de junho de 2021, após o empresário denunciar desvios de recursos na campanha eleitoral de 2018 do ex-presidente do Democratas em Goiás, Carlos César Savastano Toledo (Cacai Toledo).
As investigações concluídas em novembro de 2023 indicaram Cacai Toledo como autor intelectual do homicídio de Escobar. Em vídeos, o empresário mostrava a devolução de R$ 150 mil, que dizia ter recebido como suborno para cessar as denúncias.
Posicionamento das defesas
Em nota, a defesa de Rodrigo Moraes Leal e Adriano Azevedo de Souza informou que respeita a decisão e que irá recorrer para manter a absolvição. Já a defesa de Glauko Olivio, Wembleyson de Azevedo e Thiago Marcelino Machado reiterou que houve confronto e que os policiais agiram em legítima defesa, anunciando recurso às instâncias superiores.
📲 Tem alguma pauta, denúncia, flagrante ou informação importante? O Goiás em Pauta quer ouvir você!
Envie agora mesmo para o nosso WhatsApp: (62) 9 9129-7318.
