Gigantes da Faria Lima aparecem em investigação sobre o PCC
A Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28), revelou suspeitas de envolvimento de grandes gestoras de fundos da Faria Lima, em São Paulo, em um esquema bilionário de ocultação de patrimônio ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Entre os alvos estão quatro pesos-pesados do mercado financeiro: Reag, Genial, Trustee e Buriti. Outras casas de investimento, como Altinvest, Banvox, BFL, Monetar, Finaxis e Positiva, também aparecem nas apurações. Juntas, as empresas administravam cerca de 40 fundos supostamente controlados pelo crime organizado, com patrimônio estimado em mais de R$ 30 bilhões.
Segundo a Receita Federal, o esquema operava em etapas. Primeiro, fintechs “bancarizavam” o dinheiro de origem ilegal, distribuindo os valores entre várias contas para dificultar o rastreamento. Depois, os recursos eram aplicados em fundos de investimento – imobiliários, multimercados e exclusivos –, usados tanto para gerar rentabilidade quanto para lavar o dinheiro.
“Encontramos situações em que o dinheiro passava por duas ou três fintechs de fachada antes de chegar às gestoras, que faziam os aportes nos fundos”, explicou a superintendente da Receita em São Paulo, Marcia Meng.
Ela destacou ainda que parte das empresas investigadas deixou de cumprir a obrigação de informar corretamente à Receita quem eram os cotistas e quanto cada um havia investido.
O que dizem as gestoras citadas
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Reag: afirmou estar colaborando integralmente com as autoridades.
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Genial: declarou que atua com base nos mais altos padrões de governança e repudiou “ilações infundadas”.
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Trustee: informou que renunciou à administração dos fundos citados meses antes da operação, por decisão de compliance.
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Buriti: disse não ter sido alvo de mandados nem notificada oficialmente.
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Finaxis: manifestou “indignação” com a vinculação do seu nome e negou qualquer envolvimento.
A investigação é conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal.
