Emendas Pix bancam contas básicas e show de Safadão, aponta CGU
Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de uso irregular de emendas Pix no município de Tucano, no interior da Bahia. Segundo o órgão, parte dos recursos foi utilizada para pagar despesas básicas da prefeitura, como contas de água, luz, internet, aluguel de veículos e combustível, além da contratação de um show do cantor Wesley Safadão.
De acordo com o relatório, Tucano recebeu cerca de R$ 19 milhões em cinco emendas Pix em 2024. Do total, mais de R$ 1 milhão teria sido pulverizado para custear gastos administrativos, prática vedada pelas regras que regem esse tipo de transferência especial, conforme a Constituição Federal.
A cidade é administrada por Ricardo Maia Filho (MDB), filho do deputado federal Ricardo Maia (MDB-BA), responsável pela indicação de R$ 11,7 milhões em uma única emenda Pix. A CGU aponta que esses recursos deveriam financiar ações finalísticas, como obras e serviços diretos à população, e não despesas rotineiras da máquina pública.
Entre os gastos questionados está a contratação de um show de Wesley Safadão no “Arraiá das Águas Quentes”, realizado em junho de 2024. A prefeitura utilizou R$ 500 mil oriundos de uma emenda Pix do deputado Alex Santana (Republicanos-BA) e outros R$ 500 mil de fontes diversas para viabilizar o evento. O cachê do cantor foi de R$ 730,5 mil, sem processo licitatório.

Embora o show tenha ocorrido conforme o contrato, a CGU destacou falhas graves de transparência, como a ausência de documentos e informações no sistema Transferegov, o que dificultou a fiscalização e o controle social.
Obras fantasmas e falhas de rastreabilidade
A auditoria também identificou irregularidades em contratos de pavimentação que somam quase R$ 6 milhões. Segundo a CGU, parte das obras foi atestada como concluída, mas não foi localizada durante vistorias realizadas em agosto de 2025. Em alguns bairros, moradores afirmaram ter construído as próprias calçadas, apesar de o serviço ter sido pago com recursos das emendas Pix.
Outro ponto crítico foi a impossibilidade de rastrear o caminho do dinheiro. Em diversos casos, os valores foram remanejados entre contas, inclusive para ressarcir despesas já quitadas com recursos próprios do município, prática considerada irregular pelo órgão de controle.
A CGU concluiu que o município atrasou o cadastro dos planos de trabalho e deixou de registrar as emendas no portal da transparência, comprometendo a fiscalização. O relatório foi encaminhado à Polícia Federal por determinação do ministro do STF Flávio Dino, relator da ação que trata do uso das emendas Pix no país.
Em nota, a Prefeitura de Tucano negou irregularidades, reconheceu falhas pontuais e afirmou que as obras estão em execução. Parlamentares citados afirmaram não ter responsabilidade sobre a aplicação dos recursos e defenderam a apuração dos fatos.
Fonte; Metrópolis
📲 Tem alguma pauta, denúncia, flagrante ou informação importante? O Goiás em Pauta quer ouvir você!
Envie agora mesmo para o nosso WhatsApp: (62) 9 9129-7318.
