Saúde

Doação de medula enfrenta desafio para manter doadores ativos no Brasil

Apesar de o Brasil possuir o terceiro maior banco de doadores de medula óssea do mundo, milhares de pacientes ainda aguardam por um transplante. O principal entrave, segundo especialistas, não está apenas na quantidade de cadastros, mas na falta de atualização dos dados dos doadores, o que faz com que cerca de 30% deles não sejam localizados quando surge um paciente compatível.

Durante a Semana de Mobilização Nacional de Doação de Medula Óssea, realizada entre 14 e 21 de dezembro, o médico hematologista Ferdinando Ribeiro, do Hospital Unique, destaca que sensibilizar o doador ao longo do tempo é um dos maiores desafios do processo. Para ele, o engajamento precisa ser contínuo e não restrito apenas ao momento do cadastro.

“O doador precisa entender que manter os dados atualizados faz parte do ato de doar. Quando não conseguimos contato, uma chance real de transplante pode ser perdida”, explica o especialista. Segundo Ribeiro, campanhas periódicas de atualização cadastral, uso de redes sociais, aplicativos, e-mails, mensagens automáticas e maior acompanhamento dos hemocentros são medidas fundamentais para reverter esse cenário.

Outro fator que afasta possíveis doadores é o medo gerado por informações equivocadas. De acordo com o hematologista, o cadastro no Redome não envolve retirada de medula óssea. O procedimento consiste apenas no preenchimento de dados pessoais e na coleta de uma pequena amostra de sangue, semelhante a exames de rotina. A doação propriamente dita só ocorre se houver compatibilidade confirmada, e, na maioria dos casos, não exige cirurgia nem oferece alto risco. A medula do doador se recompõe em cerca de 15 dias.

O transplante de medula óssea é indicado para o tratamento de diversas doenças hematológicas, tanto malignas quanto benignas. Entre elas estão leucemias agudas, linfomas, síndromes mielodisplásicas, aplasia de medula, anemia falciforme, talassemia grave e algumas imunodeficiências. Em muitos casos, o procedimento representa a única chance de cura.

A compatibilidade entre doador e receptor é avaliada por exames de histocompatibilidade. Pelas leis da genética, a chance de encontrar um doador ideal entre irmãos é de 25%. Já entre pessoas sem parentesco, a média é de um para cada 100 mil, o que reforça a importância de um banco amplo e atualizado.

Criado em 1993 e coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) reúne atualmente mais de 3,7 milhões de cadastros. Mesmo assim, a efetividade do sistema depende diretamente do comprometimento dos doadores ao longo do tempo.

Em Goiás, o cadastro é realizado no Hemocentro Estadual, localizado na Avenida Anhanguera, nº 5195, Setor Coimbra, em Goiânia. Para se cadastrar, é necessário ter entre 18 e 35 anos, estar em boas condições de saúde e ter disponibilidade para doar, caso haja compatibilidade.

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