“Careca do INSS” afirma que único contato com Congresso foi em reunião sobre cannabis
Durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), nesta quinta-feira (25/9), o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, declarou que sua única aproximação com integrantes do Congresso Nacional ocorreu em uma visita à residência do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Segundo ele, o encontro teve como objetivo discutir questões ligadas ao processo regulatório da cannabis no Brasil.
“A aproximação com o senador Weverton foi meramente para tentar entender como anda o processo regulatório da cannabis aqui no Brasil. Seja na fábrica, no plantio, meramente isso”, afirmou. O empresário acrescentou que, na época, representava uma marca internacional de produtos à base da planta.
Escândalo do INSS
O nome de Antônio Carlos ganhou notoriedade após as denúncias reveladas pelo portal Metrópoles, em dezembro de 2023. As reportagens apontaram que entidades arrecadaram até R$ 2 bilhões em um ano por meio de descontos em aposentadorias, muitas vezes obtidos de forma fraudulenta. O caso resultou na Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2024 pela Polícia Federal, que levou à demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi.
De acordo com as investigações, o lobista é acusado de operar call centers que captavam associados para entidades suspeitas, recebendo 27,5% de comissão sobre cada novo desconto aplicado em aposentados. Ele também é investigado por supostamente corromper ex-diretores do INSS e até o ex-procurador-geral da autarquia, por meio de pagamentos e transferências de carros de luxo para familiares.
Depoimento na CPMI
Preso desde 12 de setembro, Antônio Carlos compareceu de forma espontânea à comissão, mas protegido por um habeas corpus que lhe garante o direito de não responder a perguntas que possam incriminá-lo.
A sessão chegou a ser interrompida quando o empresário ameaçou deixar o local, mas acabou retomada sem que ele respondesse às questões do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
