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Prefeitura anuncia R$ 6 milhões para clubes da Série B enquanto saúde de Goiânia enfrenta crise

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, anunciou nesta segunda-feira (9/2), em solenidade no Paço Municipal, um investimento de R$ 6 milhões para apoiar Atlético Goianiense, Goiás e Vila Nova na disputa da Série B do Campeonato Brasileiro. O recurso, em parceria com a Câmara Municipal, será repassado à Federação Goiana de Futebol (FGF) em parcelas, com o objetivo de ajudar os clubes a buscar o acesso à Série A.

Segundo a prefeitura, a iniciativa pretende ampliar a visibilidade da capital, fomentar o turismo esportivo e gerar retorno econômico com arrecadação de impostos, movimentação do comércio e realização de grandes jogos. Mabel afirmou que o retorno financeiro pode ser quase três vezes superior ao valor investido. “É um bom negócio para a cidade, além de um patrocínio ao esporte”, declarou.

No entanto, o anúncio gerou questionamentos e críticas, principalmente diante da situação da saúde pública de Goiânia, que enfrenta problemas graves, como falta de leitos, demora em atendimentos, filas para exames, unidades sobrecarregadas e denúncias constantes de falta de medicamentos. Para parte da população, o investimento no futebol ocorre em um momento em que prioridades básicas seguem sem solução.

Críticas sobre prioridades do poder público

Apesar de reconhecerem a importância do esporte, especialistas e moradores apontam que saúde é um serviço essencial e deveria ser tratada como prioridade absoluta. A dúvida levantada é como a prefeitura consegue destinar milhões ao futebol profissional enquanto UPAs, hospitais e postos de saúde operam no limite, afetando diretamente quem depende do SUS.

Durante o evento, o presidente da Câmara Municipal, Romário Policarpo, defendeu o apoio aos clubes, afirmando que o futebol é democrático e que o investimento retorna à cidade em forma de impostos e movimentação econômica. Dirigentes dos clubes também destacaram dificuldades financeiras e agradeceram o repasse, classificando o apoio como fundamental para a sobrevivência das equipes.

Debate público se intensifica

O investimento será parcelado e pode ser dividido em até dez vezes, conforme as fases do campeonato. Ainda assim, o anúncio reacendeu o debate sobre gestão de recursos públicos, sobretudo em um cenário em que a população cobra soluções urgentes para a saúde municipal.

Para críticos, antes de investir em patrocínios esportivos, a prefeitura deveria organizar a rede de saúde, garantir atendimento digno e resolver problemas estruturais. Já defensores argumentam que o esporte também gera retorno social e econômico, não devendo ser visto como gasto, mas como investimento.

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