CPMI do INSS: Governo segura pagamento de emendas após derrota no Congresso
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reduziu o ritmo de liberação de emendas parlamentares após sofrer derrota na instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A escolha da presidência e relatoria da comissão surpreendeu o Planalto e fortaleceu a oposição.
Segundo dados do sistema Siga Brasil, até agora foram pagos R$ 6,29 bilhões dos R$ 50,38 bilhões autorizados para 2025, valor 13% abaixo do esperado pelos parlamentares. Considerando restos a pagar de anos anteriores, o total liberado chega a R$ 15,4 bilhões.
A liberação de recursos tem sido concentrada em poucas datas. Em média, o governo pagou R$ 66,3 milhões por dia neste ano. No dia da derrota na CPMI, quarta-feira (20/8), foram pagos apenas R$ 32 milhões. Na quinta (21/8), o valor subiu para R$ 68 milhões, mantendo a média. No total, após a derrota, o Planalto desembolsou R$ 100,6 milhões em emendas.
Desse montante, R$ 22,2 milhões foram destinados a integrantes da própria CPMI. Entre os beneficiados estão o senador Chico Rodrigues (R$ 12 milhões), a senadora Teresa Leitão (R$ 1,3 milhão) e o senador Oriovisto Guimarães (R$ 1,25 milhão). Outros nomes também receberam valores menores, como Damares Alves (R$ 9,5 mil) e Bia Kicis (R$ 457,58).
Bastidores da derrota
A movimentação que resultou na eleição de Carlos Viana (Podemos-MG) para a presidência da CPMI começou na véspera da instalação. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), articulou a candidatura em jantar com parlamentares descontentes com o governo, principalmente pela demora na liberação de emendas.
Segundo integrantes da oposição, a vitória foi vista como um gesto de força da direita e também como uma reação do próprio Congresso ao Planalto. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, chegou a reunir líderes da base para tentar organizar uma resposta, mas, até agora, não houve sinal de liberação extra de recursos.
